domingo, 28 de julho de 2013

TRABALHO E REENCONTRO NO FORUM LANDI

Velhos amigos, velhas histórias, o mais velho, é claro sou eu. Da esquerda para a direita: Ronaldo Moraes Rego, Jorge Eiró, eu e Haroldo Baleixe, em visita aos trabalhos de construção dos cenários da Ópera "Tosca", célebre obra de Puccini de 1900, com um libreto cheio de ação política, intrigas e delações fatídicas, e uma música maravilhosa só rivalizada, talvez, por Verdi na Itália. Comparações com as óperas de Mozart ou Wagner não são cabíveis, acho. Mais importante que a "visita técnica", no entanto, foi o reencontro que depois incorporou nosso querido e solitário Jaime Bibas. Ainda há bons momentos nesta terra.
Abaixo o belíssimo cartaz de lançamento do Festival de Ópera. É bom observar que nossa cidade cada vez mais se apresenta com trabalhos, propostas e "gostos" de alta qualidade.

terça-feira, 23 de julho de 2013

ARTHUR NOGUEIRA: o despontar de uma talento sereno

Arturzinho é cria da casa. Filho temporão dos amigos Paulo Elcídio e Marize, mas não por isso me dou ao trabalho de comentar. O garoto nasceu cantando e faz poemas como quem joga porrinha. Quem já o ouviu cantar, sabe do que estou falando. Além do mais, ele trabalha numa linha que inaugura uma nova corrente na MPB do Pará. Como santo de casa não faz milagre, Arthur se lança no Rio de Janeiro e cercado de gente da pesada. Vai que é tua Arturzinho !

ARTHUR NOGUEIRA. O despontar de um talento sóbrio e profundo.


Embora este espaço não se caracterize como agenda, estaremos sempre divulgando o que nos chegar às mãos de interesse cultural ou assunto destacável. Desta feita, contamos com a ajuda não autorizada da GloboNews e do nosso amigo Vasco Cavalcante, menos autorizado ainda, dono do site Cultura Pará, um arquivo já maduro e riquíssimo de assuntos ligados à cultura.
Quanto ao Arthur Nogueira, o Arturzinho é cria da casa. Filho temporão dos amigos Paulo Elcídio e Marize, mas não por isso me dou ao trabalho de comentar. O garoto nasceu cantando e faz poemas como quem joga porrinha. Quem já o ouviu cantar, sabe do que estou falando.





Cultura Pará criou a Agenda da Semana com o objetivo de publicar neste espaço os eventos artísticos de nossa região seguindo a mesma linha de trabalho proposta pelo site. Festas, eventos em bares e outras locações em que a arte não seja objeto prioritário, não serão contemplados.Os interessados em divulgar seus eventos, deverão enviar a programação até segunda-feira (às 19h) de cada semana. Esta agenda tem o apoio da Sol Informática.
 
DESTAQUE • 
DESTAQUE • DESTAQUE
— • STARTE BELÉM • —

Pedaços da exuberância cultural de Belém: veja as diferentes formas
de arte que vêm do Pará, em uma edição especial do Starte.
Globo Newes
(TV à Cabo)
Dia 23 e 30 de julho (terças), as 23h30 
— • ARTHUR NOGUEIRA • —
RIO - Antonio Cicero achou engraçado quando o adolescente de 15 anos parou à sua frente na fila de autógrafos, em Belém. O riso virou curiosidade quando o garoto começou a falar sobre o quanto admirava seu trabalho e o de Waly Salomão e sobre a forma como Adriana Calcanhotto transportava a poesia deles para a linguagem da canção. Cicero ficou curioso e pediu que ele esperasse para poderem conversar depois. Conversaram e deram ali o primeiro passo na direção da amizade que, dez anos depois, desemboca no compacto “Entremargens”, que aquele então adolescente, hoje o cantor e compositor Arthur Nogueira, lançou na internet (www.mostre.me/entremargens ) e que apresentou em dois shows no Oi Futuro Ipanema. “Antigo verão (Embarque para Citera)”, parceria da dupla, é uma das músicas do disco.

— Naquele dia, Cicero me deu o e-mail dele, mas não tive coragem para escrever — conta o artista paraense. — Um tempo depois, conheci por outros caminhos Marina Lima (irmã de Cicero), que ouviu minha música e me escreveu dizendo que tinha gostado. Conversamos, ela me encorajou a escrever para ele. Fiz isso, e acabamos criando uma relação forte por e-mail, até que em 2011 o convidei para um projeto em Belém. Ficamos muito próximos. E mais ainda quando vim morar no Rio no ano passado (agora ele vive em São Paulo).

Antigo verão” concentra diferentes aspectos da música de Nogueira. Sobre todos, sua vinculação a certa tradição da música brasileira, a das canções feitas por poetas — que passa por nomes como Cicero, Waly e Torquato Neto. A poesia está no centro de sua produção musical — não por acaso, Adriana Calcanhotto e seu álbum “A fábrica do poema” (1994) são referências centrais. Além de Cicero, ele tem parcerias com os poetas Dand Moreira. (que ao vê-lo no palco fez um poema que, musicado por Nogueira, se tornou “Preciso cantar”, a outra faixa do compacto) e Omar Salomão (que participou do show). O roteiro da noite inclui Vinicius de Moraes — patrono dessa tradição.

— O que me levou à música foi descobrir poetas que faziam canção. Me lembro de uma música que ouvia com meu tio (que deu a ele seu primeiro violão), “Três da madrugada”, de Torquato Neto (em parceria com Carlos Pinto), na voz de Gal. Em músicas como essa, havia algo mais. Eram os poetas, a poesia. As coisas de “Gal fatal”... Ou a “A fábrica do poema”, versos de Waly que Adriana musicou. Passei a buscar os livros de Waly em sebos, a pedir para amigos que viajavam.

Nogueira, porém, sabe que poema e letra são dois universos diferentes:
— O poema não precisa de uma melodia para existir, como a letra precisa. Mas Adriana, Caetano, Macalé conseguem tornar um poema uma canção que vai além dele. E divulgá-lo para um público enorme. Mas eu também tenho certo preconceito com a ideia de poema musicado, do “a música é boa porque é um poema do Drummond”.

Longe da nova cena paraense

Musicados em favor da canção, os versos de Cicero para “Antigo verão (Embarque para Citera)” se referem a verões iluminados que ele viveu no Rio nos anos 1970 (“Primeiro a praia, depois uma estreia/ Depois o baixo e finalmente a festa/ De madrugada, numa cobertura”) e que Nogueira viu espelhados na sua temporada carioca, que ele diz ser fundamental para a música que faz hoje — quando chegou ao Rio, o paraense já tinha experiência de palco (começou a cantar na noite aos 15) e um disco, “Mundano” (2009).

— No show canto “Roteiro turístico do Rio”, que fiz sobre poema de Waly, e que fala desse olhar sobre a cidade de quem vem de fora. E eu já tinha canções como “Lá”, que fala do Rio — diz Nogueira, que também escreve letras.

A distância física do Pará natal aparece também de forma simbólica no seu trabalho — calcado no caráter clássico da canção, longe de flertes com tecnobrega, guitarradas ou carimbós eletrificados que têm marcado a nova cena do estado. Uma música nem por isso menos interessada no contemporâneo, como deixa evidente a presença de Arthur Kunz (do Strobo, dupla de instrumental-rock-eletrônica, uma das boas novidades de lá) como produtor do compacto — que se desdobrará num CD de dez músicas até o fim do ano:


Aqui uma das faixas do compacto:
http://www.youtube.com/ watch?v=ygrXc6pHRfw

Leia mais sobre esse assunto em:
http://oglobo.globo.com/ cultura/ arthur-nogueira-renova-trad icao-dos-poetas-na-cancao- brasileira-9091526#ixzz2ZV xbY9mf

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domingo, 14 de julho de 2013

O HOMEM PRIMITIVO, ARTE, LINGUAGEM, EU E O SIMPLES.

Pintura rupestre. Data de 40 mil anos.
 O Homo  Sapiens de Neanderthal já
estava lá, desde 150 mil anosos
Faço arte. Nada demais. Um ofício como outro qualquer, como tem sido registrado na Arqueologia e na História. Arte, uma atividade do estado diligente que conecta inconsciente e consciente. Simples assim. No meu caso, artes plásticas, dentre tantas outras.
Arte é uma língua, um modo de expressão, um sistema de sinais que visa a comunicação, assim como a fala, tantas que são, embora diferentes, são essencialmente a mesma coisa.
Todos falam uma língua. Não sabem e nem precisam saber sobre ela, nem necessitam entender porque usam um cê cedilha no lugar do esse, ou um xis ao invés de cê agá. Não têm que explicar eventuais significados submersos  embutidos nessa língua. Nem por isso deixam de comunicar-se. Essa língua não se importa com o que o homem acha dela. Depois de inventada, ela se consolidou e se tornou autônoma.
Do troglodita aos homos sapiens
Por que então o artista, eu, no caso, deveria saber explicar a linguagem que uso na minha arte? Por que minha arte tem que ter um discurso prévio, uma idéia que a antecede, um manifesto de aprovação ou uma explicação teórica do que quero dizer com a arte que elaboro? Não. Não tenho que ter nada disso. Minha arte não deve explicações, é autônoma, uma língua que visa a comunicar-se e quem quiser compreendê-la, e para além do que ela mostra objetivamente, trate o interessado de traduzi-la; que vá estudá-la.

Estou certo que dentre os homens primitivos, apareceu o artista primeiro que os outros, e ele, o artista pré-histórico, foi também anterior ao aparecimento da arte. Na mesma linha, tenho a crença em que esse homem, o artista, elaborou linguagens artísticas antes mesmo de saber falar, assim como acabou falando, antes mesmo de inventar uma língua.

ARTE, COMPROMISSO, SERVIR.

Este é um desenho tradicional porém “contemporâneo” por que tem por trás o reconhecimento do artista como sendo arte, utilizando apenas papel pincel, pano, e tinta à  óleo. Pertence à uma série que obteve o primeiro prêmio no Salão do Museu de Arte de Goiânia, Goiás em 1984. Poderia ser também uma pintura, já que as linhas limitanantes não são tão evidentes. Isto, porém, é para discussões acadêmicas e não importa agora. Sendo figurativo mas sem clareza, pode parecer muitas coisas, inclusive um corpo humano, mostrando detalhes de nádegas gordas e desformes, vestindo calcinhas ou cuecas. Arte tem disso, gosta de ser independente do artista e se sugerir e  impor com novas idéias além das escolhas do artista, como um filho, uma criança que uma vez nascido, tem voz e vontade própria. Porém, quando a pintei, tratava-se de representar conjuminâncias variadas de lonas velhas e desgastadas, material que, na maioria dos casos, já está desaparecida das embarcações do Ver-O-Peso e das cidades importantes e seus trapiches e embarcadouros, sendo vistas ainda, mais nas costumeiras paisagens ribeiras de habitação humana rarefeita, que ainda conservam autonomia e tradição ante à globalização e o aculturamento progressivo. Nesses locais, fora do espaço-tempo dominante, pode-se ver os panos costurados e remendados, velas que colhem nos seios o vento benfazejo que alivia a dor da impractibilidade e da falta de comprometimento social, dos parcos recursos financeiros e ideologias. São velas semi-desaparecidas ou envelhecidas por falta de manutenção, pela sujeição às intempéries, enfim, reflexo da vida dura das viagens, do trabalho pesado, das idas e e vindas nos barcos com pescado, tralhas e pessoas que vivem e trabalham com precariedade à beira dos rios, isolados do conforto urbano, um povo que ainda encontra razões para se permitir ser feliz, ou, pelo menos, ser alegre circunstancialmente, como no Círio de Nazaré, quando vêm à Santa ou mesmo no refúgio de seu imaginário de cores alegres e felicidade aparente.

Esta pintura, ou desenho, não importa, é uma homenagem à essa população pobre e também um veículo modesto para chamar atenção para os irmãos de rio e suas difíceis condições de trabalho. Um reclamo contra o descaso da sociedade quanto à transformação de seus valores, objetos e materiais típicos que desapareceram ou se encontram em estado de desaparecimento. Essa arte portanto, perdoem-me os puristas, não é uma lírica descrição, ao contrário, contém preferências ideológicas e compromisso com a cultura social do nosso tempo.

domingo, 7 de julho de 2013

O PRINCÍPIO DA ARTE É NÃO TER PRINCÍPIOS

Proteste, REAJA, acorde. Fora com as artimanhas, artistagens, artifícios e tudo que é feito para lhe a(r)tribular e enganar. Só o que tem que enganar por princípio e sobrevivência, é a ARTE. Siga ARTE, curta ARTE. Proteste com ARTE.


sábado, 6 de julho de 2013

Sobre as sonatas de Mozart

"Os estudos de Chopin são peças encantadoras, peças perfeitas, mas eu simplesmente não posso perder tempo com eles. Creio que conheço tais peças; porém, ao tocar uma sonata de Mozart, não tenho a certeza de a conhecer por dentro e por fora. E portanto posso passar com ela uma infinidade de tempo."

Artur Schnabel. Em: Minha vida e a música.

NOSSO VELHO RELÓGIO E O CENTRO HISTÓRICO DESCARACTERIZADOS

Na Praça do Relógio, no centro, tem, é claro, um relógio. Porém, não é um relógio qualquer. É um monumento histórico, da época áurea da "borracha" que, além disso, tem um design belíssimo, independente do estilo em que possa ser enquadrado - assunto para os especialistas em patrimônio. Falo dele agora, porque encontrei nos meus velhos arquivos, a foto que aí está.
Esse monumento importante de Belém já passou por inúmeras interpretações e foi pintado com diversa cores diferentes. Salvo engano, nosso atual Secretário de Cultura, Paulo Chaves Fernandes, em sua administração anterior, formou equipes, pesquisou e encontrou o padrão correto para os muitos monumentos daquele cenário, que foram enriquecidos com as mui coerentes intervenções do projeto denominado de Feliz Lusitânia, que resgatou boa parte do centro histórico, resultado de um trabalho altamente técnico e ideológico, com amor pela cidade, a partir da necessária visão crítica e histórica para reposicionar a verdadeira arquitetura do passado. Essa paisagem cultural, de grande impacto turístico, incluindo a "Estação das Docas", não recebeu a mesma atenção dos últimos governos do Estado nem dos nossos alcaides municipais. Agora, com governador e prefeito do mesmo partido e havendo o link local entre governo do estado e o PMDB, é viável captar recursos do governo de Dilma. O trabalho deveria sair de um diagnóstico e uma revisão avaliatória para a construção de uma agenda de ações e projetos visando correções, tanto de obras físicas como de re-ordenamento do uso e acesso ao Centro Histórico. O entorno do Ver-O-Peso, por exemplo, está uma vergonha, de dia e de noite, assediado por caminhões baú que ocuparam todo o espaço que antes era livre para o comércio e o turismo. Agora levam todo o nosso pescado, lesando a mesa do pobre que só compra peixe velho e caro, o que sobra no mercado e na feira. Portanto, economia, história, patrimônio e turismo bem que poderiam ser objeto de um projeto integrado, da Prefeitura, mas sob a inteligente coordenação de Paulo Chaves, que foi quem demonstrou que é possível fazer de Belém uma cidade melhor.

ORAÇÃO POEMA DE FERNANDO PESSOA

CARICATURA DE F. PESSOA
Senhor, meu passo está no Limiar da tua Porta. 
Faze-me humilde ante o que vou legar 
Meu mero ser que importa? 
Sombra de Ti aos meus pés tens, desenho de Ti em mim, 
Faze que eu seja o claro e humilde engenho 
Que revela o teu fim. 
Depois, ou morte ou sombra o que aconteça 
Que fique, aqui, 
Esta obra que é tua e em mim começa 
E acaba em Ti. 
Sinto que leva ao mar Teu rio fundo 
- Verdade e Lei - 
O resto sou só eu e o ermo mundo... 
E o que revelarei. 
A névoa sobe do alto da montanha 
E ergue-se à luz 
O claro cimo que a Tua luz banha 
Sereno e claro e a flux 
Eu quero ver a névoa que se ergue pra te ver 
A humanidade sofredora é cega - 
O resto é apenas ser...