terça-feira, 23 de julho de 2013

ARTHUR NOGUEIRA. O despontar de um talento sóbrio e profundo.


Embora este espaço não se caracterize como agenda, estaremos sempre divulgando o que nos chegar às mãos de interesse cultural ou assunto destacável. Desta feita, contamos com a ajuda não autorizada da GloboNews e do nosso amigo Vasco Cavalcante, menos autorizado ainda, dono do site Cultura Pará, um arquivo já maduro e riquíssimo de assuntos ligados à cultura.
Quanto ao Arthur Nogueira, o Arturzinho é cria da casa. Filho temporão dos amigos Paulo Elcídio e Marize, mas não por isso me dou ao trabalho de comentar. O garoto nasceu cantando e faz poemas como quem joga porrinha. Quem já o ouviu cantar, sabe do que estou falando.





Cultura Pará criou a Agenda da Semana com o objetivo de publicar neste espaço os eventos artísticos de nossa região seguindo a mesma linha de trabalho proposta pelo site. Festas, eventos em bares e outras locações em que a arte não seja objeto prioritário, não serão contemplados.Os interessados em divulgar seus eventos, deverão enviar a programação até segunda-feira (às 19h) de cada semana. Esta agenda tem o apoio da Sol Informática.
 
DESTAQUE • 
DESTAQUE • DESTAQUE
— • STARTE BELÉM • —

Pedaços da exuberância cultural de Belém: veja as diferentes formas
de arte que vêm do Pará, em uma edição especial do Starte.
Globo Newes
(TV à Cabo)
Dia 23 e 30 de julho (terças), as 23h30 
— • ARTHUR NOGUEIRA • —
RIO - Antonio Cicero achou engraçado quando o adolescente de 15 anos parou à sua frente na fila de autógrafos, em Belém. O riso virou curiosidade quando o garoto começou a falar sobre o quanto admirava seu trabalho e o de Waly Salomão e sobre a forma como Adriana Calcanhotto transportava a poesia deles para a linguagem da canção. Cicero ficou curioso e pediu que ele esperasse para poderem conversar depois. Conversaram e deram ali o primeiro passo na direção da amizade que, dez anos depois, desemboca no compacto “Entremargens”, que aquele então adolescente, hoje o cantor e compositor Arthur Nogueira, lançou na internet (www.mostre.me/entremargens ) e que apresentou em dois shows no Oi Futuro Ipanema. “Antigo verão (Embarque para Citera)”, parceria da dupla, é uma das músicas do disco.

— Naquele dia, Cicero me deu o e-mail dele, mas não tive coragem para escrever — conta o artista paraense. — Um tempo depois, conheci por outros caminhos Marina Lima (irmã de Cicero), que ouviu minha música e me escreveu dizendo que tinha gostado. Conversamos, ela me encorajou a escrever para ele. Fiz isso, e acabamos criando uma relação forte por e-mail, até que em 2011 o convidei para um projeto em Belém. Ficamos muito próximos. E mais ainda quando vim morar no Rio no ano passado (agora ele vive em São Paulo).

Antigo verão” concentra diferentes aspectos da música de Nogueira. Sobre todos, sua vinculação a certa tradição da música brasileira, a das canções feitas por poetas — que passa por nomes como Cicero, Waly e Torquato Neto. A poesia está no centro de sua produção musical — não por acaso, Adriana Calcanhotto e seu álbum “A fábrica do poema” (1994) são referências centrais. Além de Cicero, ele tem parcerias com os poetas Dand Moreira. (que ao vê-lo no palco fez um poema que, musicado por Nogueira, se tornou “Preciso cantar”, a outra faixa do compacto) e Omar Salomão (que participou do show). O roteiro da noite inclui Vinicius de Moraes — patrono dessa tradição.

— O que me levou à música foi descobrir poetas que faziam canção. Me lembro de uma música que ouvia com meu tio (que deu a ele seu primeiro violão), “Três da madrugada”, de Torquato Neto (em parceria com Carlos Pinto), na voz de Gal. Em músicas como essa, havia algo mais. Eram os poetas, a poesia. As coisas de “Gal fatal”... Ou a “A fábrica do poema”, versos de Waly que Adriana musicou. Passei a buscar os livros de Waly em sebos, a pedir para amigos que viajavam.

Nogueira, porém, sabe que poema e letra são dois universos diferentes:
— O poema não precisa de uma melodia para existir, como a letra precisa. Mas Adriana, Caetano, Macalé conseguem tornar um poema uma canção que vai além dele. E divulgá-lo para um público enorme. Mas eu também tenho certo preconceito com a ideia de poema musicado, do “a música é boa porque é um poema do Drummond”.

Longe da nova cena paraense

Musicados em favor da canção, os versos de Cicero para “Antigo verão (Embarque para Citera)” se referem a verões iluminados que ele viveu no Rio nos anos 1970 (“Primeiro a praia, depois uma estreia/ Depois o baixo e finalmente a festa/ De madrugada, numa cobertura”) e que Nogueira viu espelhados na sua temporada carioca, que ele diz ser fundamental para a música que faz hoje — quando chegou ao Rio, o paraense já tinha experiência de palco (começou a cantar na noite aos 15) e um disco, “Mundano” (2009).

— No show canto “Roteiro turístico do Rio”, que fiz sobre poema de Waly, e que fala desse olhar sobre a cidade de quem vem de fora. E eu já tinha canções como “Lá”, que fala do Rio — diz Nogueira, que também escreve letras.

A distância física do Pará natal aparece também de forma simbólica no seu trabalho — calcado no caráter clássico da canção, longe de flertes com tecnobrega, guitarradas ou carimbós eletrificados que têm marcado a nova cena do estado. Uma música nem por isso menos interessada no contemporâneo, como deixa evidente a presença de Arthur Kunz (do Strobo, dupla de instrumental-rock-eletrônica, uma das boas novidades de lá) como produtor do compacto — que se desdobrará num CD de dez músicas até o fim do ano:


Aqui uma das faixas do compacto:
http://www.youtube.com/ watch?v=ygrXc6pHRfw

Leia mais sobre esse assunto em:
http://oglobo.globo.com/ cultura/ arthur-nogueira-renova-trad icao-dos-poetas-na-cancao- brasileira-9091526#ixzz2ZV xbY9mf

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