RÁDIO
CULTURA 93,7:
que som é esse?
Dez
meses foram suficientes para uma mudança radical l no repertório
musical que toca na Rádio Cultura FM 63,7. Jatene, que além de Governador é um
grande músico, deve ter pessoalmente imprimido uma linha programática na rádio.
Agora está bem claro que o apoio à produção local e regional é um caminho
traçado com objetividade, embora, e ainda bem, espero, sem coloração
partidária. No seu governo anterior já descobrira e expôs as então quase desconhecidas guitarradas, por exemplo, um gênero até fora do comum por aqui, mas nascidas tão autenticamente como o foi a eletrificação que invadiu o blue americano em substituição aos violões que se tornaram envelhecidos. Nossas
guitarradas, é bom que se diga, evoluíram bastante e fazem boa perna com o carimbó
e até já há ensaios em produções mais elaboradas. Acredito que poderão ir mais
alto. É de se aplaudir qualquer esforço no sentido da valorização do que é
nosso, do que tem raízes aqui. Deve-se, entretanto, conceituar isso. A arte
local, para não ser vulgar, tem que ser genuína, ter compromisso. Obriga-se ao acompanhamento natural dos gostos e acontecimentos locais; deve ser reconhecida, ter seus causos, ouvir os mexericos dos rios, das florestas e mesmo dos subúrbios das cidade. E é assim, porque há, por trás, uma
sustentação semiótica e/ou estética, um real sistema criado e formatado sabe-se lá
por quem, mas que é rígido, lógico e paradigmático, isto é, que não aceita interferências de fora que possam romper o
que está firmemente fixado internamente. Nesta visão, sempre haverá arte
local, inevitavelmente, porém, bons e maus resultados. Mesmo as coisas mais fracas, como estímulo, devem ser
veiculadas na rádio,mas em horários e programas especiais, pois a nossa FM deve ser entendida
globalmente como o necessário locus
de indução, proteção e difusão da boa música, o que, aliás, vem sendo feito, embora tenha caído um pouco.
Por justiça, de outro lado está havendo também, um certo exagero defensivo. Uma descabida benevolência para com tudo o que é feito
localmente e sabe-se, por conta do que foi dito acima, que nem tudo que é feito
aqui pode ser considerado como regional ou autêntico. Ao contrário, há uma carga
avassaladora de porcarias tidas como produto paraenses, e que é realmente produzido
aqui, mas que não tem a base e o compromisso cultural que descrevemos. É porcaria
alienígena, cruzamento de tecnologia com mau gosto
que chega a ser obscena de tão ruim! Essa droga já tem até nome, foi batizada de tecnobrega e toca por toda parte, em bocas
de ferro e trios elétricos, nos subúrbios, nas cidades do interior e até no Faustão do Rio de Janeiro, sem que se
possa impedir. Não se pode impedir, contudo, não cabe nenhuma condescendência: levar isso na nossa rádio é
inadmissível! Que som é esse? Até harp
caseiro, que é cópia de cópias americanas e que estão sendo levadas no RioHarpFestival,
já anda tocando na 93,7! Assim não dá pra apoiar. Censura é coisa politicamente antipática e mesmo socialmente ruim. Proteção, defesa do fraco, entretanto, são uma atitude ideológica cabida e necessária. Há de se implantar na
rádio uma espécie de ouvidoria para preservá-la – e a nós! – desses equívocos.
Gostamos e queremos ouvir a 93,7 que já é diversificadamente um patrimônio do povo, a quem se deve também educar, ensinar, dando-lhe oportunidade de ouvir e consumir matéria de massa superior, como se fez no Rio de Janeiro, ao ar livre em domingos, espetáculos com a orquestra sinfônica tocando música clássica! Um exemplo a seguir. Noutra oportunidade falaremos de mais um equívoco que nos
inferniza a madrugada. Por enquanto é só
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